Há muito tempo se fala em incluir o tema Educação Sexual nas escolas e, sobre esse assunto, existe muita controvérsia.
A maior dúvida que paira na cabeça de todos os pais e, provavelmente, em algumas escolas que realmente trabalham com responsabilidade, é se existe preparo no profissional que vai falar sobre o assunto com pré-adolescentes e adolescentes.
Falar sobre sexo é muito
importante para quebrar tabus, prevenir abusos, doenças e informar de
modo geral. Mas a forma como ensinamos ou passamos uma informação para
uma criança não pode ser a mesma que passamos para um adolescente. O
profissional que dará essas informações tem que, antes de qualquer
coisa, saber do que está falando e pra quem ele está falando. Por isso
ele precisa de conhecimento e não apenas de informação.
Não se pode simplesmente pegar uma professora que seja de Ciências, por exemplo, e pedir pra que ela fale sobre sexo com as crianças. Ela pode falar de anatomia, quando muito. Um profissional formado em Letras pode ser muito bom para se fazer entender na sua matéria, mas dizer que esse mesmo profissional tem tarimba, didática, conhecimento e naturalidade para falar sobre o assunto, é outra coisa.
Não se tem dúvidas que uma pessoa conhecida dos adolescentes ou alguém que ele já está acostumado a ver todos os dias, como educador sexual, seria um privilégio, pois é importante o vínculo de confiança que se forma, entre as duas partes, para debater um assunto tão polêmico e tratado de forma velada nas escolas.
Por isso é que as escolas precisam
estar atentas em não oferecer aos jovens alunos apenas uma palestra
sobre o assunto, pois além de serem muitas as dúvidas que eles têm e,
cá pra nós, não se esgotam em poucas horas, a interação do aluno com o
tema e com aquele que explica é de grande valia para que o "discurso"
funcione. O aluno precisa de um tempo para conhecer esse educador e para desenvolver a desinibição em perguntar. Por outro lado,
o educador precisa ter a paciência, o conhecimento e a psicologia para
lidar com eles e com as perguntas.
Um psicólogo, sexólogo ou psicopedagogo
seriam os profissionais mais indicados para isso.
Algumas
escolas tentaram falar sobre o tema e o que se viu foi um tremendo
desastre. Outras nem tentam, pois o custo de um profissional adequado
para falar do assunto pode sair caro para a escola, então optam por não
fazer nada. Mas é preferível que se omitam a oferecerem um programa pela
metade ou com alguém que não está preparado para discutir sobre o
assunto.
Seria muito interessante que a escola ouvisse um
profissional do assunto, que tenha a oportunidade de mostrar para a escola e para os pais, um programa efetivo e bem elaborado para esse fim.
A responsabilidade de falar sobre sexo não é
somente da escola. O dever é de orientar, mas a continuidade, confiança
e abertura devem estar presentes também no lar para que exista verdadeira
compreensão sobre tudo que envolve o sexo.